Podcast – ep#2

A Princesa do Sul

Desde piá sempre fui “xereta”. Queria saber o que estavam assuntando daqui e dali.

 – Te arranca daqui piá, não te mete em assunto de adulto!

Hoje eu compreendo que era pura bisbilhotice de criança, só queria saber de tudo um pouco.

Talvez essa curiosidade fosse muito grande para um único lugar, um único tempo, uma única época.

Eis que algo estranho começou a acontecer comigo, volta e meia durmo em um lugar e acordo em outro.

Acho que, sem querer, descobri um modo de viajar no tempo.

Achou estranho?!

Pois é, eu também!

No início demorava para acontecer, mas depois se tornou cada vez mais frequente.

Hoje eu já estou acostumado!

Certa feita depois de um fandango “bueno” lá no rancho do Sr. Pedro Costa em São Nicolau me atirei num canto do galpão e peguei no sono.

Acordei próximo a uma igreja muito bonita com um chafariz na praça em frente, dela saiam pessoas bem vestidas, com seus trajes elegantes que pareciam vir do outro lado do oceano.

Percebi ao meu lado uma folha de jornal, O Correio Mercantil, foi aí que me dei por conta de onde estava.

“Tenteando me aprumar” fui em busca de um café bem forte, para minha alegria lá estava ele, o grandioso Mercado Público.

Ao adentrar o recinto quase esbarro em um vivente apressado que carregava consigo uma máquina cheia de botão, mais parecia um piano bem miúdo que cabia em baixo do braço.

O tal tipo era esguio e de boa estatura, usava óculos, bigode e cavanhaque. Percebi que estava à procura de uma oficina e pra saber o porquê de sua pressa me fui atrás do homem.

Entrou em uma porta num local de pouco movimento e o homem por detrás do balcão de pronto lhe atendeu:

– Como vai Sr. João Simões? O que desejas?

– Preciso consertar esta Máquina de escrever com urgência, pois tenho que terminar um artigo sobre o Charque para o jornal.

Juro que naquele momento estava eu lá, parado, sem reação alguma, literalmente paralisado.

Algo que nunca esquecerei! Pois se tratava dele.

O empresário, o jornalista, o escritor… Um dos maiores nomes da literatura do Rio Grande do Sul.

LETRAS MÁGICAS

letra e música: Tiago Cambona

Somente as letras dão sentido pras histórias

Imensa loucura de palavras na memória

Magia constante, sentimentos se afloram              

Olhar de criança que viaja e encanta                     

Explosão de idéias que na folha ganham vida

São as letras da magia.

Lendas que ressonam nas vertentes do sonhar

Objetos, fantasias que invadem meu cantar

Personagens que nas folhas ganham vida e ternura         

Espetáculo dos sonhos de onde surge as criaturas            

Soflagrante do poeta que só vive a criar.

João , o grande escritor

Simões, o nosso criador                                           

Lopes, uma mente a sonhar

Neto, é vida a brilhar

Nada mais simples e belo é o sonhar

Eterna luz que não quer mais apagar           

Talento puro lapidado de emoção                                            

Olhar criança lacrimado de paixão.

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