Podcast – Ep#3

A Estrada de Ferro

Estrada de Ferro

            Foram dias e dias de andança pela gloriosa Pelotas. Das estâncias e Charqueadas fui um grande frequentador levando um pouco da minha música aos imponentes encontros da sociedade Pelotense.

Andava eu próximo à Estação Ferroviária, naquele momento queria apenas um pouco de água quente para cevar meu mate, quando me chamou a atenção um senhor com uma mala de viajem antiga. Estava ele indo para Estação, porém não havia trem algum parado lá. Resolvi matar minha curiosidade!

Acheguei-me próximo do tal e o indaguei:

– Buenas! Aonde encontro água quente por essas bandas?

O homem me olhou dos pés a cabeça e “num upa” me tascou a pergunta:

– Lhe conheço?!

            Fui pedindo desculpa de pronto e já me apresentei ao dito que logo se amansou.

– Me chamo Zeca Estrada, disse ele.

De primeiro me veio à ideia de que poderia ser um artista como eu, ou algo parecido, então lhe perguntei o porquê do nome. Foi que ele começou a contar sua história…

José Carlos de Magalhães ou Zeca havia trabalhado para uma grande empresa estrangeira que construiu as linhas férreas do estado e também a Estação ferroviária de Pelotas inaugurada em 1884. Nessa época surgiram as “Viagens de Recreio” para Rio Grande, Bagé e Piratini sendo que Zeca de vez em quando se aventurava nestes passeios que duravam mais de um dia.

Pensei comigo: – Mas de que forma um simples operário conseguiu realizar tais viagens junto à alta sociedade?

Conseguira guardar uma parte de seus rendimentos para a compra das passagens e uma fatiota elegante para desfrutar dos bailes, jantares, procissões pela cidade, enfim, atrações contempladas nas excursões.

 Foi aí que me ocorreu que aquele homem era também como eu, fazia da estrada sua vida. Além de construir também desfrutou de tão magnífica obra que trouxe tamanho progresso e prosperidade ao Rio Grande do Sul.

Quando fui perguntar sobre o que estava a fazer naquela estação, ao longe apontou na curva dos trilhos, em seu ritmo marcante, dando o sinal que estava a chegar o trem que aguardava.

Zeca Estrada, como então conhecido por todos, me contara que após concluída a ferrovia, buscara novamente na estrada um novo caminho. No ofício de Mascate usava sua mala velha, para não chamar a atenção dos malfeitores, pois carregava lenços de seda, perfumes vindos da França, charutos, relógios…

O tempo ao lado daquele homem, que levava consigo tantas experiências, passou que nem vi. Já havia esquecido o mate naquelas horas, embarquei naquele trem e me fui com o Zeca para mais uma viagem.

Quem sabe descubro outras aventuras do Zeca Estrada!

O Trem da Saudade

letra e música: Tiago Cambona

O TREM DA SAUDADE

O trem vai partir, vai deixar saudade!

De amores e amizades que o destino fez surgir.

No embalar dos vagões o sonho se mistura

Sentimentos de ternura a inflar os corações.

Vai! Trem da saudade!

Trem da amizade, trem da alegria.

Vai! Trem da saudade!

Embalando sonhos, embalando a vida.

O caminho percorrido se refaz a todo instante

Passageiros e tripulantes perfazendo nova história.

O vapor com maestria faz no céu a trajetória

Que gravada na memória traz um tom de nostalgia.

Vai à noite, vem o dia,

E a saudade se recria no compassar dos trilhos

São anseios teatinos a embalar as horas.

Os cavalheiros e as senhoras num viajar perene

Alimentam suas mentes com experiências raras

As imagens ficam mais claras quando a saudade vem

Pois só a saudade faz parte daquilo que te faz bem.

Vai! Trem da saudade!

Trem da amizade, trem da alegria.

Vai! Trem da saudade!

Embalando sonhos, embalando a vida.

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