PODCAST

O Cantador de Histórias – Feito a Mão

Olá!

O projeto O Cantador de Histórias – FEITO A MÃO consiste na criação de um Podcast onde eu levo um pouco do meu trabalho como compositor e produtor musical feito inteiramente A MÃO, artesanalmente por mim.

Neste Podcast que leva o mesmo nome do projeto temos em cada episódio fatos históricos, a cultura e o folclore do Rio Grande Sul.

Tem também literatura, apresento o meu “Don Quixote – Gaúcho” em pequenas crônicas que dão o tom do que vem após.

Música. Apresento uma música de minha autoria sobre o tema do episódio.

Acompanhe o Podcast pelos links abaixo:

Deezer: https://bit.ly/39sJxfA

Spotify: https://spoti.fi/2vV4cen

Castbox: https://bit.ly/33RQwgQ

Youtube: https://bit.ly/2Vq3b86

EP#03 – Podcast – A estrada de ferro – A origem do Turismo no Rio Grande do Sul – O Trem da Saudade O Cantador de Histórias

Neste episódio O Cantador de Histórias a prosa é sobre a origem do turismo no RS, Zeca Estrada e O Trem da Saudade completam o Ep#03. — Send in a voice message: https://anchor.fm/tiagocambona/message
  1. EP#03 – Podcast – A estrada de ferro – A origem do Turismo no Rio Grande do Sul – O Trem da Saudade
  2. EP#01 – O Cantador de Histórias
  3. EP#02 – A Princesa do Sul

Episódio #1 Podcast

Se tu estiveres lendo este texto é por que realmente não somos imaginários, fazemos parte de um mesmo mundo. Ainda que em épocas distintas, trilhamos um novo percurso e escrevemos nosso destino a cada amanhecer.

Sou um viajante do tempo e por ele construo meu caminho. Presente, passado e futuro numa mescla de rumos sem fim onde me ponho a tentar enfim recordar de onde vim e saber para onde vou.

Tão moço quanto o tempo e tão antigo quanto à história, trago comigo as memórias de muitas vidas que vivi. Alegrias, tristezas e sonhos, sentimentos que guardo em meu ser, impressões que tive do mundo que em meu canto hei de dizer.

As histórias que aqui lhe trago são retratos dos meus rumos, tenho no peito a emoção em forma de testemunho deste meu pago terrunho, meu Rio Grande, meu chão.

O papel e a Pena são meus parceiros, da estrada meus conselheiros. São eles que me ajudam a gravar nos papiros da eternidade cada obra revelada pelos caminhos que trilhei.

“E sigo assim meu destino

Nesta sina de andante

Venha comigo parceiro

Nesta jornada fascinante

Com esse humilde Cantador

Das Histórias do Rio Grande.”

Música: A Pena, O Livro e Eu

letra e música: Tiago Cambona

Da velha Pena de escrever antigos contos

O escritor se entrega debruçado em folhas brancas.

E das Folhas, segue a esperança de serem riscadas

Feito a tela onde o pintor joga suas tintas.

O criador segue sua trilha, criando sonhos e histórias 

Personagens de seus contos ganham vida e luz

Num espaço que seduz todo aquele que sonha lendo

Letras gravadas nos papiros da eternidade.

Os livros são como as arcas e o tesouro são as letras

Que enriquecem as mentes e abrem novas janelas.

Aquele que lê um livro mergulha no rio dos poemas,

Se aventura nas matas das lendas e voa livre no céu das histórias.

A estrela guia as mãos do criador 

Tinta na pena. -E o show começou!

As letras surgem na dança da arte

Textos e sonhos que minh’alma invade.

Podcast – ep#2

A Princesa do Sul

Desde piá sempre fui “xereta”. Queria saber o que estavam assuntando daqui e dali.

 – Te arranca daqui piá, não te mete em assunto de adulto!

Hoje eu compreendo que era pura bisbilhotice de criança, só queria saber de tudo um pouco.

Talvez essa curiosidade fosse muito grande para um único lugar, um único tempo, uma única época.

Eis que algo estranho começou a acontecer comigo, volta e meia durmo em um lugar e acordo em outro.

Acho que, sem querer, descobri um modo de viajar no tempo.

Achou estranho?!

Pois é, eu também!

No início demorava para acontecer, mas depois se tornou cada vez mais frequente.

Hoje eu já estou acostumado!

Certa feita depois de um fandango “bueno” lá no rancho do Sr. Pedro Costa em São Nicolau me atirei num canto do galpão e peguei no sono.

Acordei próximo a uma igreja muito bonita com um chafariz na praça em frente, dela saiam pessoas bem vestidas, com seus trajes elegantes que pareciam vir do outro lado do oceano.

Percebi ao meu lado uma folha de jornal, O Correio Mercantil, foi aí que me dei por conta de onde estava.

“Tenteando me aprumar” fui em busca de um café bem forte, para minha alegria lá estava ele, o grandioso Mercado Público.

Ao adentrar o recinto quase esbarro em um vivente apressado que carregava consigo uma máquina cheia de botão, mais parecia um piano bem miúdo que cabia em baixo do braço.

O tal tipo era esguio e de boa estatura, usava óculos, bigode e cavanhaque. Percebi que estava à procura de uma oficina e pra saber o porquê de sua pressa me fui atrás do homem.

Entrou em uma porta num local de pouco movimento e o homem por detrás do balcão de pronto lhe atendeu:

– Como vai Sr. João Simões? O que desejas?

– Preciso consertar esta Máquina de escrever com urgência, pois tenho que terminar um artigo sobre o Charque para o jornal.

Juro que naquele momento estava eu lá, parado, sem reação alguma, literalmente paralisado.

Algo que nunca esquecerei! Pois se tratava dele.

O empresário, o jornalista, o escritor… Um dos maiores nomes da literatura do Rio Grande do Sul.

LETRAS MÁGICAS

letra e música: Tiago Cambona

Somente as letras dão sentido pras histórias

Imensa loucura de palavras na memória

Magia constante, sentimentos se afloram              

Olhar de criança que viaja e encanta                     

Explosão de idéias que na folha ganham vida

São as letras da magia.

Lendas que ressonam nas vertentes do sonhar

Objetos, fantasias que invadem meu cantar

Personagens que nas folhas ganham vida e ternura         

Espetáculo dos sonhos de onde surge as criaturas            

Soflagrante do poeta que só vive a criar.

João , o grande escritor

Simões, o nosso criador                                           

Lopes, uma mente a sonhar

Neto, é vida a brilhar

Nada mais simples e belo é o sonhar

Eterna luz que não quer mais apagar

Talento puro lapidado de emoção                                            

Olhar criança lacrimado de paixão.

Podcast – ep#3

A Estrada de Ferro

Estrada de Ferro

            Foram dias e dias de andança pela gloriosa Pelotas. Das estâncias e Charqueadas fui um grande frequentador levando um pouco da minha música aos imponentes encontros da sociedade Pelotense.

Andava eu próximo à Estação Ferroviária, naquele momento queria apenas um pouco de água quente para cevar meu mate, quando me chamou a atenção um senhor com uma mala de viajem antiga. Estava ele indo para Estação, porém não havia trem algum parado lá. Resolvi matar minha curiosidade!

Acheguei-me próximo do tal e o indaguei:

– Buenas! Aonde encontro água quente por essas bandas?

O homem me olhou dos pés a cabeça e “num upa” me tascou a pergunta:

– Lhe conheço?!

            Fui pedindo desculpa de pronto e já me apresentei ao dito que logo se amansou.

– Me chamo Zeca Estrada, disse ele.

De primeiro me veio à ideia de que poderia ser um artista como eu, ou algo parecido, então lhe perguntei o porquê do nome. Foi que ele começou a contar sua história…

José Carlos de Magalhães ou Zeca havia trabalhado para uma grande empresa estrangeira que construiu as linhas férreas do estado e também a Estação ferroviária de Pelotas inaugurada em 1884. Nessa época surgiram as “Viagens de Recreio” para Rio Grande, Bagé e Piratini sendo que Zeca de vez em quando se aventurava nestes passeios que duravam mais de um dia.

Pensei comigo: – Mas de que forma um simples operário conseguiu realizar tais viagens junto à alta sociedade?

Conseguira guardar uma parte de seus rendimentos para a compra das passagens e uma fatiota elegante para desfrutar dos bailes, jantares, procissões pela cidade, enfim, atrações contempladas nas excursões.

 Foi aí que me ocorreu que aquele homem era também como eu, fazia da estrada sua vida. Além de construir também desfrutou de tão magnífica obra que trouxe tamanho progresso e prosperidade ao Rio Grande do Sul.

Quando fui perguntar sobre o que estava a fazer naquela estação, ao longe apontou na curva dos trilhos, em seu ritmo marcante, dando o sinal que estava a chegar o trem que aguardava.

Zeca Estrada, como então conhecido por todos, me contara que após concluída a ferrovia, buscara novamente na estrada um novo caminho. No ofício de Mascate usava sua mala velha, para não chamar a atenção dos malfeitores, pois carregava lenços de seda, perfumes vindos da França, charutos, relógios…

O tempo ao lado daquele homem, que levava consigo tantas experiências, passou que nem vi. Já havia esquecido o mate naquelas horas, embarquei naquele trem e me fui com o Zeca para mais uma viagem.

Quem sabe descubro outras aventuras do Zeca Estrada!

O Trem da Saudade

letra e música: Tiago Cambona

O TREM DA SAUDADE

O trem vai partir, vai deixar saudade!

De amores e amizades que o destino fez surgir.

No embalar dos vagões o sonho se mistura

Sentimentos de ternura a inflar os corações.

Vai! Trem da saudade!

Trem da amizade, trem da alegria.

Vai! Trem da saudade!

Embalando sonhos, embalando a vida.

O caminho percorrido se refaz a todo instante

Passageiros e tripulantes perfazendo nova história.

O vapor com maestria faz no céu a trajetória

Que gravada na memória traz um tom de nostalgia.

Vai à noite, vem o dia,

E a saudade se recria no compassar dos trilhos

São anseios teatinos a embalar as horas.

Os cavalheiros e as senhoras num viajar perene

Alimentam suas mentes com experiências raras

As imagens ficam mais claras quando a saudade vem

Pois só a saudade faz parte daquilo que te faz bem.

Vai! Trem da saudade!

Trem da amizade, trem da alegria.

Vai! Trem da saudade!

Embalando sonhos, embalando a vida.

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